Quando o hiato diz o que ninguém precisa ouvir
- Carla Lorena
- 7 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Tentei ensaiar.
E escrevi alguns rascunhos para esse momento, em especial. Faz uns meses que não venho, e passei dias pensando em qual seria a melhor forma de dizer “oi” depois de tanto tempo e, pra ser honesta, essa nem é a primeira vez!
Por muito tempo, esse silêncio que estava por aqui pareceu dizer mais do que eu conseguia escrever ou expressar.
Mas hoje, não volto com pressa alguma… talvez uma ansiedade pela empolgação de escrever, e com a vontade de abrir mais uma página em branco que me dá infinitas ideias, assim como sempre faz.
Não é porque você não me vê que eu deixei de estar aqui, ou melhor: não é porque estou em silêncio que eu não quero dizer nada — ou que desisti de dizer.
O hábito de falar/publicar nesse blog nunca foi realmente estabelecido, por mais que eu tentasse no passado. Eu já fiz as pazes com esse plano, no entanto, quero permitir fluir sem a pressão de produzir por obrigação. E, só pra deixar claro: eu nunca planejei esse silêncio. Ele só aconteceu quando eu menos esperava, mas eu sempre pensava em como poderia quebrá-lo em breve. Não com qualquer coisa, não com uma desculpa, mas com naturalidade. Apesar de que eu gostaria de ter quebrado essa pausa pra refletir sobre tantas coisas, sinto que permitir o silêncio me deu a oportunidade de viver algumas experiências de formas diferentes: na vida e na escrita.
A criação nunca foi interrompida — e sinto que ninguém precisa ser plateia pra que eu tenha espaço pra falar sobre o que me provoca.

No meio das outras tantas coisas paralelas que eu aprendo, trabalho, e faço, não só transformei muitas ideias de dentro pra fora, como vi nascer as consequências das mudanças. E num desses dias, ouvi uma frase da Duquesa que ficou ecoando em mim de um jeito muito diferente:
“Tudo o que eu toco vira ouro.”
Talvez seja exatamente isso que eu esteja fazendo sem perceber: transformando tudo, mesmo aqui em silêncio, e de um jeito que só eu consiga ver.
Esse texto não é um anúncio. Nem um recomeço oficial. Não era pra ser nada grandioso; só um lembrete de que estou por aqui, mesmo que eu não esteja por aqui fisicamente, minha mente torna a voltar pra cá toda vez.
É poderoso perceber que a vida é o melhor rascunho que existe — e talvez esse post também seja isso: um parágrafo entre tantos outros que ainda virão.
Nem tudo precisa ser finalizado ou visto pra ter valor.
E nem todo retorno precisa ser ensaiado.
✴ Esse texto conversa bem com este outro aqui.



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