O que acontece quando voltamos pra casa? - Uma pergunta sobre Pluribus 🙂
- Carla Lorena
- 17 de ago. de 2025
- 3 min de leitura
O caminho de volta
Quando as primeiras informações sobre a nova série de Vince Gilligan saíram, eu fiquei me questionando o que realmente acontece nesse trajeto de volta, quando um criador decide voltar ao universo de uma obra antiga e, ao mesmo tempo, como é fascinante a nossa experiência em transitar pela arte de forma tão livre.
O que acontece quando voltamos para as nossas origens após ter vivido tão longe por tanto tempo?
Vince, antes dos trabalhos brilhantes em Better Call Saul e Breaking Bad, trabalhou nos episódios mais memoráveis de Arquivo X. E foi nesse trabalho, aliás, que ele descobriu o rosto perfeito pra estrear o projeto solo em que ele estava trabalhando: Bryan Cranston.

Esse caso do Vince é fascinante, porque ele não só mudou de gênero (da ficção científica e do procedural em Arquivo X para o drama criminal e psicológico de Breaking Bad), como também mudou o tom. A série de sci-fi dos 90s (pai de tantas outras séries de sucesso que temos hoje), tinha aquela vibe conspiratória, cósmica, cheia de mistério e episódios “monstros da semana”, enquanto Breaking Bad é absolutamente terrestre, realista, humano até o osso (e até o osso mesmo). E mesmo assim, ambos compartilham algo essencial: a obsessão por transformação, por seres humanos que enfrentam o desconhecido: seja alienígena, seja dentro de si mesmos.
A bagagem que enchemos de "vida"
A nova série, conhecida como Pluribus, não fornece muitas informações para nós, o público, que estamos bastante ansiosos! O pouco que sabemos é que ela é uma série de sci-fi, que conta com a maravilhosa Rhea Seehorn no elenco, e que nada tem a ver com o universo de Breaking Bad.
Um dos rumores mais interessantes que eu vi, foi justamente que Vince poderia dar um aceno às origens nessa nova ficção científica e vale ressaltar o quanto ele viveu longe do lugar de onde ele começou.
Isso tem um quê de ritual, né? Como um retorno ao lugar onde tudo começou, mas com a bagagem do que foi vivido. Talvez Vince esteja fazendo isso agora. Não só revisitando o sci-fi, mas trazendo todo o peso emocional, técnico e narrativo que acumulou com seus últimos trabalhos. É quase como se ele estivesse dizendo:
“E se eu pegasse aquele meu olhar das estrelas... e olhasse pra dentro de novo?”
Mas voltar às origens nem sempre significa voltar ao brilho, sabemos bem disso. Na televisão, nem todo revival encontra o mesmo fôlego — Sex and the City está aí para provar que a nostalgia pode ser armadilha. O retorno só funciona quando vem impregnado de algo novo, quando não é uma cópia do passado, mas uma continuação orgânica dele.

Quando voltamos
É nesse ponto que a história dele toca na nossa própria história.
Eu acredito que assim como ninguém pode entrar no mesmo rio duas vezes, ninguém pode voltar pra mesma casa duas vezes.
Mesmo que você conheça bem aquele lugar, a mudança que veio com as suas vivências e experiências, certamente lhe farão enxergar tudo de um jeito muito diferente.
Voltar é um confronto, porque você mudou.
E, nesse caso, tem a expectativa do público que sempre pesa. Mas a experimentação não pode ser deixada de lado quando ainda temos algo pra ser dito.
É curioso como isso também se aplica a nós, criadores mais cotidianos. Às vezes ficamos tentando nos definir: “eu sou tradutora, eu sou escritora, eu sou roteirista”, como se isso fosse estático. Mas quando você percebe que pode transitar, testar, sair e voltar com novos olhos… tudo muda. O “de volta às origens” deixa de ser uma repetição, e vira uma reinvenção carregada de camadas.
Às vezes pode ser bom voltar pra casa, só pra perceber o quanto vivemos fora dela.
Bom, essa foi a minha reflexão de hoje. Você tem alguma expectativa pra essa nova série? Me conta aqui nos comentários! 💡



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