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Autenticidade: Onde Beyoncé e Arctic Monkeys se encontram - Ato II



No primeiro ato deste post, exploramos a autenticidade e a liberdade criativa dos artistas, destacando como, ao alcançarem um certo nível de sucesso, eles podem transcender as expectativas da indústria e do público. Discutimos os últimos trabalhos de Beyoncé e Arctic Monkeys, enfatizando como a autenticidade não é necessariamente comprometida pelas obrigações contratuais ou pelas expectativas elevadas do público; ou seja, não é porque o artista tem um contrato a cumprir e expectativas a serem satisfeitas, que ele não seja autêntico. No entanto, essas pressões podem, de fato, prejudicar a experimentação – um elemento essencial para qualquer artista. A experimentação pode causar uma verdadeira revolução ou um renascimento, como vimos no álbum "Renaissance" de Beyoncé e em “Tranquility Base Hotel & Casino”, do Arctic Monkeys.

 

"The Car", dos Arctic Monkeys, é quase um novo gênero dentro do rock indie, mas isso não significa que seja amplamente popular. "Cowboy Carter" de Beyoncé enfrentou resistência quando foi lançado, como veremos a seguir – algo surpreendente para um artista do seu calibre. Apesar de serem nomes gigantes na música, ambos os artistas enfrentam desafios significativos, e eles não são os únicos.

A Bey enfrentou grandes desafios com seu último álbum. O álbum, que tem uma mistura única, mas sendo recebido popularmente como country, foi recusado por várias estações de rádio, refletindo a segregação racial na música, não só por este gênero que ela se lançou recentemente. Beyoncé usou o álbum para afirmar sua identidade e cultura, e para abordar suas próprias experiências de não se sentir bem-vinda na cena country. Apesar da resistência, o álbum foi uma declaração ousada sobre a importância dos artistas negros neste gênero musical, além de fazer parte da sua luta pessoal em reivindicar gêneros que foram originalmente criados por pessoas negras. Esse trabalho da Bey é, sem dúvidas, o que mais sentimos o seu coração aventureiro, que mais sentimos os vocais reais e as emoções impressionantes que o constituem; o que faz a arte da concepção do álbum ser tão fiel à sensação que ele nos causa: liberdade.



Os Arctic Monkeys também enfrentaram desafios com "The Car". Este álbum representou uma mudança ousada, incorporando vários elementos de gêneros musicais. O próprio Alex teve dificuldade em explicar suas inspirações – pra mim, a sua maior inspiração foi ele mesmo e seus últimos trabalhos! Assim, como a Bey, eles evoluíram do último lugar de onde estiveram, mantendo suas respectivas “emancipações”. Essa mudança de direção não agradou a todos os fãs, resultando em uma recepção mista, tanto do público, quanto da crítica. No entanto, "The Car" foi aclamado por sua profundidade e inovação; aliás, neste trabalho, Alex explora temas de introspecção, nostalgia e evolução pessoal. As letras abordam experiências passadas e presentes com um olhar contemplativo, destacando a complexidade das emoções humanas. Esse trabalho dos meninos é como uma viagem a um lugar novo, com a companhia de pessoas que você já conhece, mas que sente que pode se aproximar ainda mais. Tem uma certa complexidade surpreendente, sonora e lírica, e seu título também evoca a sensação de liberdade: você dirige seu próprio carro, colocando no rádio o que você quiser colocar.


 

Esses desafios nos mostram não só tipos de boicotes, mas também o fenômeno em que as pessoas querem prender os artistas numa imagem fixa. Elas esquecem que somos pessoas com nossas próprias vidas, vontades, inspirações e problemas. A arte continua sendo um produto, mas é nesse produto que inspiramos nossas vidas e alimentamos nossas histórias;


é da vida que fazemos a arte e da arte que fazemos a vida.

  

Enquanto eu coletava informações pertinentes para esse, digamos, estudo de caso, eu percebi mais pontos em comum ainda entre esses dois artistas - pontos e elementos que gostaria de abordar, apesar de já ter citado algumas coisas no meu primeiro ato (deixei easter eggs espalhados aqui também).


Encerrando este segundo ato, refletimos sobre como a força de vontade humana em explorar e expressar sua arte, pode enfrentar e superar obstáculos que podem ser mais impactantes do que se espera. A coragem de ir contra a maré e de desafiar as normas estabelecidas não apenas influencia a vida de quem se expressa, mas também pode revolucionar uma sociedade inteira.



No próximo e último ato, vamos explorar como essa experimentação corajosa tem revolucionado a cultura pop e as impressões duradouras que ela causa na vida dos artistas e na sociedade: nas nossas vidas. Voltarei, também, com os elementos curiosos em comum nos trabalhos desses dois grandes artistas.

 

Enquanto isso, é claro, te convido a explorar as sonoridades tão singulares da Bey e dos meninos, principalmente seus últimos trabalhos. Se seguirem a ordem cronológica dos 3 últimos álbuns lançados por eles, sentirão que é quase palpável a evolução e originalidade. São experiências extraordinárias.

 

Com carinho,


Carla Lorena 😊 

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